Médico e Indústria Farmacêutica: entenda essa relação

A prescrição de medicamentos é um hábito constante e comum no dia a dia dos profissionais de saúde. Por esse motivo, os laços entre médicos e indústria farmacêutica têm se estreitado cada vez mais.

A frequente visita de propagandistas aos consultórios e clínicas nem sempre possui unicamente o propósito de apresentar determinados remédios para que os profissionais conheçam, adotem e passem a prescrevê-los.

Esse é um vínculo desencadeante de inúmeros questionamentos, que devem ser esclarecidos principalmente aos profissionais prescritores. Diante disso, se você quiser saber mais sobre essa relação delicada, continue a leitura deste artigo!

Qual o papel dos representantes e como eles atuam?

Os representantes farmacêuticos possuem a função de levar à classe médica conhecimento sobre os medicamentos novos no mercado, seus benefícios e utilidades. É importante ressaltar que, geralmente, são pessoas com boa fluência verbal e alto poder de convencimento, que atuam com a intenção de fidelizar esses profissionais.

No entanto, nem sempre utilizam apenas as palavras como artifício para tal finalidade. O oferecimento de vantagens em troca da aceitação tem se tornado cada vez mais constante, cabendo a você, profissional da saúde, avaliar se as propostas são apropriadas e devem ser acatadas.

Como funciona esse mercado?

Os propagandistas visitam regularmente clínicas, consultórios e hospitais, representando empresas fabricantes de produtos farmacêuticos, e apresentam aos médicos os medicamentos fabricados. Amostras grátis e brindes são comumente distribuídos nessas visitas, porém, viagens, jantares e cheques também são ofertados para influenciar nessa decisão.

Diante de um mercado competitivo, é sempre preciso e importante se diferenciar dos concorrentes. Para isso, presentes diferenciados podem ser colocados em negociação com o objetivo de persuadir os profissionais da saúde. Os representantes lucram a partir da conquista de “clientes” e, por esse motivo, não medem esforços para alcançar esse objetivo.

O que a lei a diz sobre essa questão?

A RDC (Resolução da Diretoria Colegiada) 102/00 da ANVISA proíbe que seja oferecido pelos propagandistas qualquer tipo de premiação ou privilégio que possa incentivar o profissional a prescrever os medicamentos da empresa futuramente.

A lei específica que as visitas devem objetivar a explanação de informações científicas e características do produto farmacêutico. O Conselho Federal de Medicina também proíbe qualquer benefício advindo de laboratórios e empresas ou patrocínios financeiros.

Qual opinião dos códigos de ética e conduta?

Assim como na resolução da ANVISA, o Código de Ética Médica também veta esse tipo de prática, afirmando que a medicina não pode ser exercida como comércio, além de apontar que o trabalho médico não deve ser explorado por terceiros visando lucro. Dessa forma, apesar de o ato não ser considerado crime, é fundamental respeitar essas normas, afinal, elas regem o exercício legal da profissão.

Ademais, não ter esse tipo de conduta deve ser uma decisão tomada não necessariamente pela obrigação do cumprimento de regras, mas por se tratar de uma atividade que prioriza os interesses econômicos, colocando em segundo plano aquilo que deveria ser primordial, o restabelecimento da saúde.

Como os profissionais da saúde lidam com essa prática?

Muitos profissionais já estão acostumados com esse tipo de trabalho realizado pelos representantes, sendo assim, sabem ponderar suas decisões e são conscientes que o oferecimento de vantagens em troca de prescrição não deve ser aceito. Por outro lado, existem aqueles já mal-acostumados ou que se deixam atrair pelas propostas feitas e se tornam vítimas da indústria farmacêutica.

É importante considerar que, nem todos os propagandistas oferecerão regalias. Existem aqueles que cumprem a sua função de maneira correta, levando informações relevantes e atualizações sobre fármacos até você, sem a necessidade de qualquer tipo de fidelização. Deixar claro até que ponto é possível ir para tentar lhe convencer é essencial e mantém a qualidade na relação entre médicos e indústria farmacêutica.

Quais cuidados os médicos devem ter nessa relação?

Um dos cuidados que os médicos devem ter é não se limitar apenas às informações passadas durante a visita dos representantes. É possível que, nesse momento, sejam repassados apenas os benefícios do remédio, sendo desconsiderado outros aspectos extremamente relevantes, como efeitos colaterais e contraindicações.

Além disso, conhecer mais sobre a empresa fornecedora é fundamental, já que existem aquelas que lançam medicamentos completamente ineficazes e camuflam os resultados das pesquisas realizadas que mostrariam essa ineficiência.

Cabe então ao prescritor realizar uma avaliação criteriosa daquilo que foi exposto, evitando a aceitação prontamente da opinião dos propagandistas e colocando sempre em primeiro lugar o dever de proporcionar qualidade de vida ao cliente.

Qual perigo da relação entre médicos e indústria farmacêutica?

Os perigos dessa relação estão vinculados não só aos prejuízos que podem ser causados aos clientes, mas também ao profissional, sua reputação e de seu empreendimento médico.

Ao adotar determinados medicamentos sem certificar a real eficácia do mesmo, a saúde de todos os clientes que tiveram a indicação do remédio é colocada em risco. Isso afetará diretamente sua reputação, uma vez que a responsabilidade pela prescrição é exclusivamente do profissional da saúde.

Outro ponto a ser considerado é o impacto que receber brindes e amostras grátis pode causar. Um paciente, ao perceber a possibilidade de determinado laboratório ter “parceria” com sua clínica ou consultório, pode não depositar tanta confiança no seu trabalho, afastando outros clientes que procurariam seus serviços.

Como evitar o “assédio” dos propagandistas?

Há quem limite a visita desses consultores, no entanto, é muito provável que essa não seja a melhor maneira de se manter um alvo distante. O mais importante é deixar claro que não existe nenhum interesse nas propostas oferecidas ou possibilidade de prescrição em troca de vantagens.

Desde o início da relação é imprescindível que você estabeleça seus próprios critérios de relacionamento, a fim de evitar o envolvimento em questões éticas negativas ou em situações desfavoráveis. Se o medicamento apresentado for escolhido para ser prescrito, será exclusivamente por ser adequado para a função procurada.

Apesar de se tratar de um vínculo com muitos embates, a medicina e indústria farmacêutica continuam desempenhando um papel fundamental quando o assunto é promover saúde. Cabe unicamente aos profissionais decidir se ambos os lados serão aliados positivamente por um bem maior ou permanecerão compartilhando estratégias para privilégio próprio e do mercado.

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