6 Dicas poderosas para uma boa comunicação com o seu paciente

Em 2016, o Correio Braziliense publicou uma matéria sobre uma pesquisa feita pela RA NarAtive, com iniciativa do laboratório Pfizer, onde foram ouvidos mais de três mil pacientes e mais de mil médicos, em 15 países, e enquanto 66% dos doutores disseram que os pacientes não eram sinceros com eles, 72% dos pacientes disseram que não se sentiam à vontade para se abrir com os médicos, mas por que isso acontece? Como você pode melhorar isso? Veja neste post.

Os perigos da falta de comunicação médico-paciente

Não sei se você concorda conosco, mas se o seu paciente não estiver disposto a ser sincero com você ou não confiar no que você disser, qual a chance de o tratamento indicado ser eficiente?

Esse com certeza é o maior prejuízo da má comunicação. No entanto, existem diversas outras complicações, como os prejuízos financeiros causados pelos diversos processos de erros médicos.

Nosso país tem uma estimativa de três erros médicos por hora. Segundo o Conselho Nacional de Justiça, são 70 novas acusações feitas por dia pelos pacientes.

Imagine o quanto esses processos podem afetar uma carreira de sucesso?

Indo um pouco mais adiante, resolvemos compartilhar com você um material muito interessante.

Como os médicos pensam (How Doctors Think)

Esse é o título do livro escrito por Jerome Groopman, que além de professor de medicina de Harvard, escreve para veículos como o New York Times, The New Yorker e Washington Post.

Na obra que citamos acima, Groopman vai mais a fundo sobre os erros de julgamentos médicos, inclusive, aborda de forma construtiva propondo um debate aos profissionais.

No livro, ele fala sobre alguns pensamentos comuns que podem induzir o médico a erros de diagnósticos:

“Conheço este tipo de paciente

“Acabei de ver outro caso como este”

“Preciso fazer alguma coisa”

“Adoro este paciente”

Jerome conta ainda um caso em que um guarda-florestal, chamado Evan McKinley, com aparentemente 40 anos, saudável e forte reclamava de dores no peito.

Ele fora atendido no pronto-socorro por um médico chamado Pat Croskerry que o examinou e pediu vários exames, mas nenhum deles demonstrava que o guarda estava prestes a ter um infarto. Então ele foi liberado.

Acontece que, na noite do dia seguinte, quando o doutor chegou para mais um turno, um outro médico o informou, em uma conversa banal, que o paciente que ele havia atendido no dia anterior havia chegado pela manhã no hospital com infarto agudo no miocárdio.

O outro médico ainda complementou “você foi muito cuidadoso, se eu tivesse examinado não teria passado todos aqueles testes” Croskerry sabia que aquele erro poderia ter levado o paciente a morte, mas por sorte, ele sobreviveu.

O médico refletiu sobre o assunto e sabia que não foi por má conduta ou negligência, então ele pôs-se a pensar e em autocrítica chegou à conclusão de que foi fortemente influenciado pela aparência saudável do paciente, além da ausência de fatores de risco.

Croskerry então tomou algumas atitudes no departamento de emergência do Dartmouth General Hospital, quando passou a ser chefe, fazia listas de equívocos médicos e agrupava-os por categoria.

Ele se impressionou com a quantidade de erros cometidos pelos médicos sob sua supervisão.

Com o passar dos anos, ele passou a publicar artigos para explicar como as decisões eram tomadas pelos doutores. Segundo ele, normalmente os pacientes são diagnosticados assim que os médicos os veem.

Algumas pesquisas mostram que os médicos possuem em média três diagnósticos possíveis logo quando veem o paciente, fazendo com que seus palpites se desenvolvam com informações incompletas.

Por consequência ele pode ouvir menos e falar menos com o paciente e isso torna a comunicação nada eficaz.

6 dicas para melhorar a comunicação médico-paciente

Essas dicas foram dadas pela Escola de Medicina da Carolina do Norte, nos Estados Unidos da América.

Foram desenvolvidas por especialistas educadores que as usam para ensinar boas técnicas de comunicação para médicos.

A base da boa comunicação entre médico paciente é a partir da técnica de entrevista adequada, em que é centrada no paciente e na criação do ambiente apropriado para incentivar o paciente a fornecer as informações com qualidade, sendo essas médicas e psicossociais.

A técnica ajuda a criar um ambiente confortável e uma parceria de cuidado.

1. Ouça de forma ativa

As perguntas devem evoluir conforme o paciente fala e não de forma pré-determinada.

Caso não fique claro, reafirme pedindo esclarecimentos. Isso ajuda até para que o paciente sinta o compromisso do médico em entender o seu problema.

2. Aceite a realidade da desordem

Alguns profissionais podem ter dificuldade em aceitar as síndromes somáticas como autênticas, já que não há teste diagnóstico específico.

Isso faz com que aconteçam alguns comportamentos como solicitação frequente de exames ou comunicação incerta.

Para solucionar isso, o ideal é aceitar o diagnóstico como real e trabalhar pacientemente com o cliente a sua doença, ouvindo, mostrando interesse e preocupação, além de oferecer apoio.

3. Fique atento a forma como faz os questionamentos

Nem sempre o problema está no que você diz e sim como você diz. Alguns comportamentos podem inibir a coleta de informações do paciente.

De forma geral, o médico deve comunicar seu interesse sem julgamento, trazendo um ambiente confortável e seguro.

4. Seja empático

Demonstre empatia compreendendo a dor do paciente e mantendo a postura observadora e objetiva.

Frases como “eu entendo o quanto deve estar sendo ruim para você” ou “eu vejo como tem sido difícil lidar com os sintomas” podem ser muito positivas.

Essa empatia pode melhorar a satisfação do paciente e trazer maior adesão ao tratamento, além do paciente se tornar um advogado do seu atendimento por causa da relação entre vocês.

5. Eduque o paciente

Esse é um processo interativo.

Saiba como está o entendimento do paciente, resolva os mal-entendidos, forneça informações consistentes com o quadro dele e forneça explicações claras sobre os sintomas e tratamentos de forma compreensiva.

6. Tranquilize

As pessoas temem doenças graves e têm sentimentos e pensamentos negativos sobre isso, além de desamparo e falta de controle.

Para isso, identifique as preocupações do paciente, reconheça-as ou valide-as, responda sobre suas preocupações e evite as faltas de garantias como, por exemplo, dizer que vai ficar tudo bem.

Uma boa comunicação pode trazer maior satisfação para médicos e pacientes, redução de sofrimento emocional, melhores resultados clínicos gerais, melhor adesão ao tratamento e maior divulgação de informações importantes. Não deixe que sua carreira seja prejudicada por algo tão simples de fazer e lembre-se: pacientes satisfeitos atraem mais pacientes. A sua melhor e maior propaganda será através de indicações que darão do seu nome e do seu trabalho. Para mais dicas como essas, assine nossa newsletter e nos siga nas redes sociais. Para uma carreira ou uma clínica de sucesso, fale conosco.